De certeza que já muitos vos perguntaram qual é o vosso filme preferido e talvez, perante o tempo considerado aceitável para uma resposta, tenham respondido com o primeiro de que se lembraram ou com um que vos parecesse minimamente aceitável, ao ponto de vos fazer parecer interessantes. Mas já pensaram mesmo nisso?
Eu já pensei um pouco acerca disso e acho que a minha resposta seria uma comédia dramática estreada em 1988, escrita e dirigida por Giuseppe Tornatore e musicada pelo icónico Ennio Morricone.
O que é que me fez apaixonar pelo filme?
Foi a forma como o filme foi produzido, como se tivesse sido feito com tempo, com espaço para o amor crescer, com espaço para conhecermos as personagens e nos apaixonarmos pela relação inesperada que se vai formando entre Alfredo e Salvatore, mais conhecido por Totó.
Este filme é uma ode ao cinema, e eu também acredito que os filmes podem mudar vidas.
Totó entrava num cinema sem pagar, era traquina e, por isso, punido. Tinha os olhos eternamente sonhadores, espelhados neles a vontade de ver todos os filmes do mundo.
Aprendeu a arte com Alfredo, o projecionista. Com ele, ganhou uma figura paterna, herdando também a sua paixão. Tudo isto começa numa pequena vila fictícia da Sicília, no Cinema Paraíso, que dá nome ao filme.
A despedida é um dos momentos mais marcantes. Alfredo pede-lhe que prometa que não voltará, que seguirá sempre em frente, em busca dos seus sonhos.
Um dia, Totó volta, aquando da morte de Alfredo, e depara-se com as ruínas da sua infância. Uma cena que só me faz recordar dois clichés: «Não voltes ao sítio onde já foste feliz» e «A vida é feita de encontros e desencontros».
Este filme é um convite para voltarmos a nós, porque, por vezes, nos perdemos de nós próprios. É sempre bom voltar a ver a história de um menino atrás dos seus sonhos e a de um homem que o ajudou a escrevê-los.
Ana Melo Cano

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